Entre os alvos lençois...

 

 

O sol faiscava em claros tons dourados

e o quarto à meia luz estava à espera

de dois seres febris e apaixonados

buscando o sentimento que o prazer libera.

 

 

Não há frio que amaine tal calor

quando deitamos em macios lençóis,

mesmo no inverno é tanto o nosso ardor,

que ardemos quais dois rubros sois!

 

 

O amor assume as mais diversas formas,

de um modo simples ou de qualquer outro,

mas logo infringe da moral as normas

basta encostarmos nosso corpo noutro.

 

 

Quantos licores de nós dois sorvemos

até chegarmos ao manjar seguinte;

nessas mútuas iguarias onde comemos

com malícia, com fome e com requinte!

 

 

Saciados e exaustos descambamos

para o lado... Morfeu nos leva ao sono;

o sol já vai bem alto e ainda estamos

naquele gostoso e afrodisíaco abandono!

 

 

 

Fera Manhos@

31/05/2012

 

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Lençois desalinhados

Lúcio Reis

 

Amassados, umedecidos quentinhos

Ao lado do leito pendurados

As pontas no piso arrastando

E sôbre o colchão muitos carinhos

O sol invade a privacidade

Vem secar do leito a umidade

Liberada vibração pós vibração

De seres que se extasiam em cada sensação

O astro pode até ser rei

Mas aqui ele não reina, e nada direciona

Os sentimentos não seguem regra e nem lei

A desordem é a regra que o gostoso funcionar

A consequência do tesão é atropelar

Sentidos, convenções e nada controlar

Pois a faísca em cada corpo é o estopim

Que atiça, traz prazer do inicio até o fim

Por isso o saborear cada sabor

Sorver cada licor

Sempre será de tudo o novo reiniciar

E assim tudo prosseguirá enquanto o corpo não cançar

Quando a exaustão se abater

 no ar o sentimento e as sensações que se pode ver

É hora do físico relaxar

E cada ente tudo repetir em adorável sonhar.

 

Belém do Pará

31/05/12

 

 
 

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ARTE E FORMATAÇÃO SUELYDAM
 
Agradecimento especial ao Poeta Humberto Rodrigues Neto pela correçao do texto.