A MARISQUEIRA !



José Geraldo Martinez




Moçoila do Bairro da Lata.

é incoerente às vezes esta vida !
Tens a pobreza latente, que maltrata
teu frágil corpo, rapariga...

Enquanto aqui , sou tão triste,
na luxúria desvalida.
Tenho um relvado de dores,
uma sequer margarida !

Vives em teu porto beiramar,
a trabalhares nas ladeiras.
Recebes o beijo do luar,
minha doce marisqueira !

Enquanto aqui, sou tão triste,
na luxúria desvalida...
Vejo-te de longe, com inveja,
querendo viver tua vida !

Engraçado ... tanto eu tenho e
tão pouco é !
Quiçá fosse, em teu pescoço,
apenas o teu cachené !

E se não te servisse ,
esta minha ilusão passageira,
que fosse eu em teu quintal,
a flor da bela cameleira !

Ah, se soubesses
o quanto contrito, eu te amo!
Do meu rosário de preces,
que, às vezes em pecado, eu profano...

Um minuto teu me bastaria e já
curarias o meu desengano.
E se poder tivesse, sobre todos os anjos celestes,
dar-te-ia todo um oceano !
,

 
 
 
Versão de Vera Jarude.